IATE IN CONCERT 2026
A Volta ao Mundo pelos Clássicos
Uma realização do IPCB — Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro
A cada país que passa pelo palco nesta noite, uma paleta de cores acompanha a música. Mas por trás de cada peça também existe uma história real — de compositores que escreveram às pressas, estreias que fracassaram e só triunfaram décadas depois, segredos guardados até a última hora. Este programa conta essas histórias, em poucas linhas, para que você ouça cada obra sabendo um pouco mais sobre ela. Boa noite e bom concerto.
ABERTURA INSTITUCIONAL
1. Hino Nacional Brasileiro
Coral do Iate + Coral 10 da Orquestra Filarmônica de Brasília
2. Hino do Iate Clube de Brasília
Coral do Iate + Coral 10 da Orquestra Filarmônica de Brasília
3. Va, pensiero
Giuseppe Verdi · ópera Nabucco, 1842 · Coral do Iate + Coral 10, regência do Maestro Thiago Francis
Este coro canta a saudade dos hebreus escravizados por sua terra natal. Numa Itália ainda dividida e ocupada por impérios estrangeiros, a melodia virou hino silencioso de identidade nacional — dizem que, no funeral de Verdi, em 1901, uma multidão nas ruas de Milão passou a cantá-la espontaneamente.
🇧🇷 BRASIL
4. Abertura de O Guarani
Carlos Gomes · Orquestra Filarmônica de Brasília
Inspirada no romance de José de Alencar, a ópera narra o amor entre uma jovem portuguesa e um guerreiro indígena no Brasil colonial. Em 1870, sua estreia na Scala de Milão arrancou aplausos entusiasmados e projetou Carlos Gomes como o primeiro compositor brasileiro a conquistar os palcos internacionais.
🇭🇺 HUNGRIA
5. Dança Húngara nº 5
Johannes Brahms · Orquestra Filarmônica de Brasília
Brahms nunca escondeu que não inventou essas melodias — ele as ouviu de músicos ciganos húngaros e as transcreveu, por isso preferia chamá-las de “arranjos”. Publicada para piano, tornou-se uma das peças mais reconhecíveis da música clássica, até por quem nunca entrou numa sala de concerto.
🇷🇺 RÚSSIA / 🇨🇿 REPÚBLICA TCHECA
6. Tema de O Lago dos Cisnes
Tchaikovsky · Orquestra Filarmônica de Brasília · Bailarina: Natascha Iplinsky, do Grupo Bailarinos de Brasília
Natascha Iplinsky, 26 anos, pratica balé desde a infância e integra o Grupo Bailarinos de Brasília.
Poucos sabem que a estreia do Lago dos Cisnes, em 1877, foi um fracasso: coreografia criticada, público decepcionado. Tchaikovsky morreu sem ver seu balé triunfar — a versão que o consagrou só chegou aos palcos em 1895, dois anos após sua morte. Hoje é o balé mais apresentado do mundo.
7. Rusalka — Canção para a Lua
Antonín Dvořák · Solista: Laetitia Grimaldi
Nesta ópera de 1901, uma ninfa das águas se apaixona por um príncipe humano e troca sua voz pela chance de amá-lo — uma história que lembra A Pequena Sereia. Nesta ária, Rusalka pede à lua que revele ao príncipe o amor que ela não consegue dizer em palavras.
🇺🇸 ESTADOS UNIDOS
8. Summertime
George Gershwin · ópera Porgy and Bess, 1935 · Solista: Laetitia Grimaldi
Composta como canção de ninar, nasceu do encontro entre spirituals afro-americanos que Gershwin ouviu na Carolina do Sul e uma canção de ninar ucraniana que ele conhecia desde criança. Hoje soma mais de 25 mil regravações — um dos maiores recordes da música gravada.
🇪🇸 ESPANHA
9. Largo al factotum
Gioachino Rossini · ópera O Barbeiro de Sevilha · Solista: Vitor Monte
É a entrada triunfal do barbeiro Fígaro, cheio de si e sempre em movimento pela cidade. Reza a lenda que Rossini compôs a ópera inteira em menos de três semanas — o trava-língua “Fígaro, Fígaro, Fígaro” segue sendo um dos maiores desafios vocais do repertório cômico.
🇨🇳 CHINA
10. Nessun Dorma
Giacomo Puccini · ópera Turandot · Solista: Daniel Menezes
O príncipe Calaf jura que vai decifrar o enigma da princesa Turandot antes do amanhecer. Puccini morreu em 1924 sem terminar a ópera — outro compositor concluiu o final. Décadas depois, a ária ganhou o mundo quando Pavarotti a cantou na Copa do Mundo de 1990, na Itália.
🇫🇷 FRANÇA
11. Dueto das Flores
Léo Delibes · ópera Lakmé · Solistas: Laetitia Grimaldi e Marina Melaranci
Lakmé e sua criada Mallika colhem flores à beira de um rio, numa das melodias mais serenas da ópera francesa. Quase desconhecida do grande público até os anos 1980, ganhou fama mundial depois de embalar uma célebre campanha publicitária de uma companhia aérea britânica.
12. Habanera
Georges Bizet · ópera Carmen · Solista: Marina Melaranci
Carmen entra em cena declarando que o amor é um pássaro rebelde que ninguém consegue domesticar. A estreia de 1875 escandalizou Paris ao apresentar uma mulher livre e desobediente — Bizet morreu três meses depois, sem nunca saber que Carmen se tornaria a ópera mais encenada do mundo.
13. Canção do Toureador
Georges Bizet · ópera Carmen · Solista: Vitor Monte
O toureiro Escamillo entra confiante, brindando à plateia com a história de suas conquistas na arena — uma das melodias mais reconhecidas de toda a ópera, mesmo por quem nunca assistiu a Carmen.
14. Chanson Bohème
Georges Bizet · ópera Carmen · Solista: Marina Melaranci
Abrindo o segundo ato, Carmen e suas amigas ciganas dançam ao som de um ritmo que acelera até quase enlouquecer — um retrato musical perfeito do espírito livre da personagem.
🇮🇹 ITÁLIA
15. O mio babbino caro
Giacomo Puccini · ópera Gianni Schicchi, 1918 · Solista: Laetitia Grimaldi
Vem de uma curta ópera cômica quase nunca encenada isoladamente — mas essa ária se tornou uma das mais amadas da história da música. Nela, a jovem Lauretta implora ao pai que a deixe casar, ameaçando se atirar de uma ponte caso ele recuse.
16. La donna è mobile
Giuseppe Verdi · ópera Rigoletto · Solista: Daniel Menezes
Verdi sabia que tinha um sucesso nas mãos e temia que a melodia vazasse antes da estreia, cantada pelas ruas por gondoleiros. Manteve a partitura em segredo e só revelou a ária ao tenor horas antes da apresentação, em 1851. Não adiantou: Veneza inteira já cantarolava a canção na manhã seguinte.
17. Brindisi
Giuseppe Verdi · ópera La Traviata · Solistas: Laetitia Grimaldi, Marina Melaranci, Daniel Menezes e Vitor Monte + Coral 10
Um brinde entre Violeta e Alfredo, no auge de uma festa, dá início a um dos duetos mais festejados da ópera. “Libiamo” — vamos beber — convida o público a se juntar à celebração antes que a tragédia da história se revele.
🇦🇹 ÁUSTRIA
18. Marcha Radetzky
Johann Strauss I · Orquestra Filarmônica de Brasília
Composta em 1848 para celebrar uma vitória militar, ganhou tradição própria: o público bate palmas no ritmo do refrão. Até hoje é a peça que encerra o Concerto de Ano Novo da Filarmônica de Viena, transmitido para o mundo todo em 1º de janeiro.
ENCERRAMENTO
19. Bolero
Maurice Ravel · Orquestra Filarmônica de Brasília + Grupo de Bailarinos de Brasília · seleção artística de Paula Nóbrega · coreografia de Cristina Perera
Bailarinos: Paula Nóbrega, Bárbara Albuquerque, Márcio Júnior, Isadora Gonçalves, Alice da Silva de Souza, Bruno Lucena, Júlia Maria Barreto, Lorenza Rezende Moraes, Vinícius Gomes, Inara Ramos e Thiago Batista. Ravel dizia ter escrito “uma obra-prima sem música dentro”: a mesma melodia se repete 18 vezes sobre o mesmo ritmo de caixa, mudando apenas os instrumentos que a tocam. A ideia teria nascido numa visita a uma fábrica ao lado do pai, engenheiro, observando o compasso hipnótico das máquinas. Escrito como balé em 1928, tornou-se — para surpresa do próprio compositor — sua obra mais executada no mundo.
✷ Fogos sobre o lago encerram a noite ✷
Regência: Maestro Thiago Francis · Orquestra Filarmônica de Brasília
Realização: IPCB — Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro
Fomento: Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal
Iate Clube de Brasília · In Concert 2026