A bordo do barco 60 estão os velejadores Juliana Duque, Rafael Martins e uma tripulante especial. Campeões da última edição do Campeonato Brasileiro de Snipe, este ano trouxeram um reforço: Ju está à espera de Lila, a primeira filha do casal. O Iate sedia o evento que ocorre até sábado, 31 de janeiro.
Velejando juntos desde 2016 no Iate Clube da Bahia, eles viram que a união deu certo com os resultados. A dupla de “roedores”, como são carinhosamente apelidados, tem na bagagem conquistas como o hexacampeonato no Norte Nordeste de Snipe, tricampeonato no Brasileiro de Snipe, vice-campeonato mundial misto de Snipe, bronze nos Jogos Pan-Americanos de Snipe e bicampeonato da Copa Brasil de Vela.
Como casal, eles começaram a namorar anos antes de serem uma dupla nas águas. “A gente se conheceu no Clube, começamos a namorar, éramos concorrentes e dava muita confusão na chegada de boia e quem ganhava de quem. Mas nós sempre separamos bem a água da terra e, quando juntamos como dupla, melhorou mais ainda também como casal”, conta Ju.
“Parou de dar confusão, cada um em um barco, e começou a dar confusão no mesmo barco”, acrescenta Rafa, brincando.


A dupla já participou de outros eventos em Brasília, como o último Campeonato Brasileiro sediado pelo Iate, em 2015, e a Copa Brasil de 470. Ambos gostam de velejar aqui. “Eu gosto de Brasília, de lugar com vento rondado. Não gosto muito daquela área de tensão até o último minuto em que você não sabe se está ganhando, se está perdendo. Então lá Brasília é um lugar que eu curto velejar”, conta Juliana. “É um lugar desafiador, mas um lugar gostoso.”
Nova prioridade
Ju e Rafa afirmam que não vieram para ganhar, pois a realidade é outra, com a gravidez. “Estou naturalmente mais pesada no barco, isso faz muita diferença com o que a gente está acostumado a velejar. Já ganhei 11 quilos e em lugar com vento fraco isso é muito ruim e, para o vento forte, eu não consigo escorar como antes, não faço a mesma força”, explica a velejadora.
Ela pondera ainda que esse é o primeiro e último campeonato antes do nascimento de Lila, pois ao completar 30 semanas, não vai poder mais viajar de avião. Rafa reforça que a prioridade dos dois é a filha. Apesar de serem muito competitivos, uma mensagem de um amigo o deixou reflexivo sobre o real objetivo do campeonato. “Um amigo me mandou mensagem e falou assim ‘Rafa, Brasileiro de Snipe tem todo ano. A gravidez de Ju é só esse ano’”, revela.
Com pais velejadores, Lila vai crescer praticamente dentro da água. “Vela vai ser como escola, não pergunta se tem que ir ou não”, brinca Ju. Os dois querem que ela cresça vendo os pais velejando, em ação e que, se for da vontade dela, que esteja no mesmo barco, correndo uma regata na companhia dos pais.