Depoimentos JK

Que Juscelino Kubistchek foi um grande homem, a população brasileira toda sabe disso. Portanto, confira o que pessoas próximas a JK têm a falar sobre ele:

“A história que mais me marcou com Juscelino aconteceu durante a época do exílio na França. Essa fase eu jamais esquecerei porque fui morar com ele em Paris e nosso convívio foi muito intenso. Me lembro até hoje de nosso endereço na capital francesa: Boulevard Lannes, 65.

Juscelino era um homem que amava o Brasil e amava as pessoas. E no exílio sentia-se extremamente triste por estar afastado de seu país, longe de sua família e dos amigos. Ele era uma pessoa que precisava estar sempre perto de quem ele gostava, do tipo que não conseguia tomar um café sozinho. Me lembro que em tarde chuvosa aconteceu um episódio que eu nunca vou esquecer. Juscelino, sentindo muita saudade, estava particularmente triste e quando o vi, ele estava com a cabeça encostada no vidro da janela, observando a chuva e a rua. Ele dava suspiros tão grandes que a minha impressão era de sua alma sairia pela boca.

Vendo aquela cena, tratei de pensar em uma maneira de animá-lo. Disse a ele que iria dar um jeito dele morrer enforcado no Mastro da Bandeira da Praça dos Três Poderes em Brasília porque aí, pelo menos, ele morreria como herói e não iria acabar a vida nessa tristeza imensa em Paris. Juscelino riu e descontraiu um pouco com a brincadeira.

O que fizeram com ele, ao exilá-lo, foi uma pena dura demais para um homem que só pensava no Brasil e só queria viajar por aqui. Ele ficou proibido de ser eleito, de visitar seu país. Transformaram um homem grandioso como Juscelino em um pária social.”

CORONEL AFONSO HELIODORO

Coronel Afonso Heliodoro

“Escolher a história que eu mais gosto com Juscelino seria impossível. Mas os momentos dele na construção de Brasília são interessantíssimos. Eu acompanhei toda a construção de Brasília com Juscelino. E me lembro bem do primeiro dia que ele chegou aqui onde seria construída a capital. Foi em 1956 e não existia nada aqui. Nós dormimos em uma fazenda velha lá perto de onde hoje existe o Country Clube. Só tinha praticamente um quarto para ele e o resto da comitiva dormiu em redes improvisadas.

No dia seguinte, ele foi visitar a área onde seria construída a Praça do Três Poderes. As barracas ainda estavam sendo montadas e os trabalhos não tinham nem começado. Ele parou no meio do mato, olhou tudo ao redor, e começou a dizer onde é que ficaria cada coisa. Ele apontava e dizia: “ali vai ser o Palácio do Planalto. Ali vai ser a Praça dos Três Poderes, ali vai ficar o Congresso...”. Era como se ele estivesse vendo tudo pronto. E a gente ficava olhando aquilo e pensando: “Será que vai dar tempo”. Só tinha mato em volta.

Juscelino vinha a Brasília pelo menos duas vezes por semana. E quando chegava, ia logo visitando os canteiros de obra, um a um, com o Israel Pinheiro. Numa dessas visitas, me lembro que estava chovendo bastante e o piloto disse que estava difícil para aterrisar. Ele disse que era para esperar para ver se o tempo melhorava e nós ficamos uns 40 minutos sobrevoando a cidade até que deu para descer.

Ele saiu logo para ver as obras e foi visitar o lugar onde estavam construindo o Palácio da Alvorada. Quando chegou lá, vestido com uma grande capa de borracha, pois ainda estava chovendo muito, Juscelino parou perto de uma pessoa que estava batendo umas estacas. Ele bateu nas costas do cara e disse: “E aí? Essa obra vai ou não vai?” Quando o homem virou para ver quem era e viu que era o Presidente, respondeu rapidinho: “Vai, presidente. Pode ficar sossegado que essa obra vai”. E começou a bater na estaca o mais rápido que podia. Juscelino conseguia fazer isso com as pessoas. Ele imprimiu de forma carinhosa um espírito especial em todos que ajudaram na construção de Brasília.

CARLOS MURILO

Carlos Murilo

75 anos, primo de JK, foi praticamente criado por Juscelino. Conviveu com ele desde os 16 anos e acompanhou os momentos mais importantes da vida política do Ex-Presidente, inclusive a construção de Brasília